segunda-feira, 17 de março de 2014

A Grande Fome na Irlanda

Grande fome de 1845–1849 na Irlanda (em irlandês: An Gorta Mór ou A Grande Fome ) foi um período de fome, doenças e emigração em massa entre 1845 e uma data variável entre 1849 e 1852,em que a população da Irlanda se reduziu entre 20 e 25 por cento. A fome provocou a morte a cerca de um milhão de pessoas e forçou mais de um milhão a emigrar da ilha. A causa mais próxima da fome foi uma doença provocada pelo oomiceto Phytophthora infestans, que contaminou em larguíssima escala as batatas em toda a Europa durante a década de 1840. Apesar de a Europa inteira ter sido atingida, um terço de toda a população da Irlanda dependia unicamente de batatas para sobreviver, e o problema foi exacerbado por vários fatores ligados à situação política, social e econômica que ainda são matéria de debate na comunidade acadêmica. .
A fome foi um choque social na história da Irlanda:os efeitos alteraram para sempre o plano demogroáfico, político e cultural irlandês. Entrou para a memória popular, sendo desde então um dos pontos mais lembrados pelos movimentos nacionalistas irlandeses. A história da Irlanda geralmente é dividida entre os períodos "pré-fome" e "pós-fome". A grande fome é também recordada como a maior catástrofe demográfica a atingir a Europa entre a Guerra dos Trinta Anos e a Primeira Guerra Mundial, com um excesso de mais de um milhão de mortes na Irlanda em relação ao expectável se não tivesse existido.

Causas e fatores que contribuíram para a fome

Desde 1801 a Irlanda era governada segundo o Ato de União de 1800, como parte do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. O poder executivo estava nas mãos do Lorde Tenente da Irlanda e do Secretário Geral da Irlanda, os dois apontados no cargo pelo Governo Britânico. A Irlanda enviou 105 membros do parlamento para a Câmara dos Comuns do Reino Unido, e os representantes irlandeses elegiam entre si 28 membros para um cargo perpétuo na Câmara dos Lordes. Entre 1832 e 1859, 70% dos representantes irlandeses eram donos de terras ou filhos de donos de terras.
Nos 40 anos de união que se seguiram, os sucessivos governos britânicos tentaram resolver os problemas de governação de um país que, de acordo com Benjamin Disraeli em 1844, tinha "uma população morrendo de fome, uma aristocracia ausente, uma Igreja alienígena, além do mais fraco governo executivo do planeta."Um historiador calculou que entre 1801 e 1845 houve 114 comissões e 61 comitês especiais que visitaram o estado da Irlanda e "todos sem exceção profetizavam um desastre; a Irlanda estava à beira de uma fome em massa, a população crescendo rapidamente, três quartos dos trabalhadores desempregados, péssimas condições de habitação e nível de vida inacreditavelmente baixo." Isso era um contraste com o estado britânico, que tinha começado a aproveitar a prosperidade moderna da Era Vitoriana e a Era Industrial. Leis contra a educação católica e a posse de terras tornavam esse progresso impossível na Irlanda, até o código penal ser abolido 50 anos após a fome, mas a recuperação da economia foi lenta , devido às famílias donas de terra terem continuado com suas propriedades.

Donos de terra e propriedades

A emancipação católica foi atingida em 1829. Os católicos eram aproximadamente 80% da população, a maioria vivendo em condições de pobreza e insegurança. No topo da pirâmide social estava a classe ascendente protestante, os ingleses e as famílias anglo-irlandesas, que eram donas da maiorias das terras, e que tinham poder ilimitado sobre seus domínios. Algumas dessas propriedades eram vastas: por exemplo, o Conde de Lucan era dono de 24 000 hectares. Muitos desses donos de terras viviam em Inglaterra e eram chamados de "aristocracia ausente". Eles usavam agentes para administrar suas propriedades, e o lucro era enviado para a Inglaterra. Uma boa parte deles nunca chegou a ir à Irlanda. Pagavam salários mínimos para plantação ou criação de gado, para exportação.
Em 1843, o governo britânico considerou a questão de terra a principal causa dos problemas no país, e foi criada uma Comissão Real, liderada pelo Conde de Devon, para fazer um inquérito das leis sobre a ocupação de terras na Irlanda. Daniel O'Connell descreveu a comissão como totalmente tendenciosa, composta apenas por donos de terras. Em Fevereiro de 1845, Devon relatou que era "impossível descrever adequadamente as privações que os trabalhadores irlandeses e suas famílias aguentavam… em muitos distritos seu único alimento era a batata, e sua única bebida a água… seus barracos mal protegiam contra o tempo… cama ou cobertor era luxo… e quase em todas, seus porcos e pilhas de excremento consistiam sua única propriedade". Os comissionados concluíram que não "podem esquecer a enorme paciência que a classe trabalhadora tem mostrado ao aguentar um sofrimento maior, nós acreditamos, que qualquer povo de qualquer país da Europa tem que sustentar".
A comissão concluiu que a principal causa era a péssima relação dos donos de terra com seus empregados. Não existia realeza hereditária, laço feudal ou paternalismo como na Inglaterra. A Irlanda era um país conquistado, como se depreende do discurso do Conde de Clare sobre os donos de terras: "o título é confiscar a terra". De acordo com Woodham-Smith, os donos de terra irlandeses achavam que as suas terras eram apenas fonte de riqueza de onde se devia extrair a maior quantidade de dinheiro possível, com os irlandeses "expressando seu descontentamento em quieta indignação". De acordo com o Conde de Clare, a Irlanda era um lugar hostil para se viver, e como consequência a aristocracia ausente era comum, com alguns visitando suas propriedades apenas uma ou duas vezes em suas vidas. O dinheiro do aluguel das terras era todo gasto na Inglaterra, sendo estimado que um total de seis milhões de libras foram enviados para fora da Irlanda apenas em 1842. A coleta desses valores ficava nas mãos dos agentes dos donos das terras, cujo talento era avaliado de acordo com a quantidade de dinheiro que conseguiam extorquir às pessoas.
Durante o século XVIII um novo sistema para negociar com os donos de terra foi criado, o sistema do "intermediário". Isto garantia aos donos de terra um fluxo contínuo de rendimento, e lhes retirava qualquer responsabilidade; o locatário porém era sujeito a humilhações pelo intermediário. Descritos pela comissão como os "mais opressivos tiranos que ajudaram à destruição do próprio país", eram descritos como "tubarões de terra" e "vampiros".20
O intermediário alugava grandes quantidades de terra dos donos a uma taxa plana, que era definida como eles bem entendiam. Então dividiam essa terra em vários pequenos lotes para aumentar a quantidade de aluguéis que podiam obter, um sistema conhecido como germinação. Os locatários podiam ser expulsos por razões como não pagamento dos aluguéis, que eram extremamente altos, ou pela decisão do dono da terra de criar ovelhas em vez plantar grãos. O locatário pagava o aluguel trabalhando para o dono da terra.
Qualquer melhoria feita nas propriedades era tornada automaticamente propriedade dos donos das terras quando o contrato terminava, o que agia como um desestimulante para melhorias. Os locatários não tinham nenhum tipo de segurança em relação à terra, e podiam ser expulsos a qualquer momento. Esta classe de locatários formava a maioria dos camponeses na Irlanda, exceto no Ulster, onde existia uma prática conhecida como "direito do locatário", onde os locatários eram compensados por qualquer melhoria feita na propriedade feita por si. Os comissários disseram, de acordo com Woodham-Smith, que "a superior prosperidade e tranquilidade de Ulster, comparada à do resto da Irlanda, era devida ao direito do locatário".
Os donos de terra da Irlanda usavam os seus poderes sem nenhum remorso, e as pessoas temiam-nos. Nessas circunstâncias, diz Woodham-Smith, a "indústria e as empresas eram extintas, e os camponeses criados eram por isso dos mais destituídos da Europa".

Locatários, subdivisões e falências

Em 1845, 24% de todas as fazendas de locatários irlandeses tinham área entre 0,4 e 2 hectares, enquanto 40% iam de 2 até 6 hectares. As propriedades eram tão pequenas que davam apenas para plantar batata, pois nenhuma outra plantação rendia o suficiente para sustentar uma família. O governo britânico sabia que um pouco antes da Grande Fome a pobreza era tão generalizada que um terço de todos os fazendeiros de pequeno porte não podiam nem mesmo sustentar suas famílias, após pagar o aluguel, a não ser através de ganhos do trabalho sazonal feito na Inglaterra e na Escócia. Após a fome, reformas foram feitas proibindo a divisão de terras até um certo tamanho.
O censo de 1841 mostrou uma população de apenas 8 milhões, dos quais dois terços dependiam da agricultura para sobreviver, mas raramente recebiam um salário para trabalhar. Estes tinham que trabalhar para os donos de terra em troca do seu próprio pedaço de terra, assim conseguindo plantar alimentos suficientes para as suas famílias. Esse sistema forçou os irlandeses a praticar a monocultura, e apenas a batata rendia quantidades suficientes para sustentar toda uma família. O direito por um pedaço de terra podia ser a diferença entre a vida e a morte na Irlanda no início do século XIX.

Dependência da batata

A infestação de batatas com Phytophtora infestans foi uma das causas principais da grande fome na Irlanda.
A batata foi introduzida na Irlanda como planta de jardim. Em finais do século XVII tornar-se-ia um alimento suplementar, enquanto a dieta principal ainda era baseada em pão, leite e produtos baseados em grão de cereal. Nas primeiras duas décadas do século XVIII a batata passou a ser o alimento de base dos pobres, principalmente no inverno. A expansão da economia entre 1760 e 1815 viu as batatas ocuparem o lugar de alimento principal durante todo o ano em todas as pequenas propriedades rurais.
«As terras de pasto célticas da… Irlanda foram usadas para pasto de vacas durante séculos. Os britânicos colonizaram… os irlandeses, transformando a maior parte do campo em uma vasta terra de pasto para criar gado para um mercado consumidor faminto em casa… O gosto britânico por carne teve um impacto devastador para as pessoas pobres e desafortunadas da… Irlanda… Retirados das melhores terras e forçados a plantar em pequenos pedaços de terra marginal, os irlandeses recorreram à batata, uma colheita que podia ser produtiva em solo pouco favorável. Eventualmente, as vacas tomaram a maior parte da Irlanda, deixando a população nativa virtualmente dependente da batata para a sobrevivência.»
Jeremy Rifkin, Beyond Beef (pp. 56–57)26

A peste da batata na Irlanda

Antes da chegada da doença Phytophthora infestans, existiam apenas duas doenças principais da planta da batata. Uma era conhecida como 'dry rot' e a outra era um vírus, conhecido como 'curl'.
Retrato de Bridget O'Donnell e suas duas crianças durante a fome em 1849.
No censo de 1851 da Irlanda feito pelos comissários anotaram-se 24 falhas na lavoura de batata desde 1728, com vários graus de gravidade. Em 1739 a lavoura foi completamente destruída, e novamente em 1740. Em 1770, a lavoura falhou novamente. Em 1800 houve outra falha generalizada, e em 1807 metade da lavoura foi perdida. Em 1821 e 1822, a lavoura de batata falhou completamente em Munster e Connacht, e 1830 e 1831 foram anos de falha nos condados de Mayo,Donegal e Galway. Em 1832, 1833, 1834 e 1836 um alto número de distritos sofreram sérias perdas, e em 1835, a lavoura falhou em Ulster. Em 1836 e 1837, houve falhas extensivas por toda Irlanda e novamente em 1839, onde a falha foi universal em todo país. Tanto 1841 e 1844 a falha da lavoura foi generalizada. De acordo com Woodham-Smith, "a falta de confiança na lavoura de batata era um facto já reconhecido na Irlanda".
Não se sabe ao certo quando e de que modo a peste Phytophthora infestans atingiu a Europa, mas de acordo com P.M.A. Bourke, a praga certamente não estaria presente antes de 1842, e provavelmente chegou em 1844. Pelo menos uma das fontes de infestação sugere como local de origem a região dos Andes, em particular o Peru. A praga deve ter vindo para a Europa em navios de carga de guano, que era usado como fertilizante na Europa.
Em 1844, jornais irlandeses traziam relatórios sobre a doença que há dois anos atacava a lavoura de batatas nas Américas. De acordo com James Donnelly, uma fonte provável foi o leste dos Estados Unidos, onde em 1843 e 1844 a peste devastou a cultura de batatas, sugerindo que navios de Baltimore, Filadélfia ou Nova Iorque poderão ter trazido a doença para os portos europeus . W.C. Paddock sugere que ela foi transportada em batatas usadas para alimentar passageiros nos navios de imigrantes.
Quando a peste foi introduzida, rapidamente se espalhou. Pelo final do verão e início do outono de 1845, já tinha atingido a Europa Central. A Bélgica, os Países Baixos, o norte da França e o sul da Inglaterra, em meados de agosto estavam atingidos.
Em 16 de agosto, o Gardeners' Chronicle and Horticultural Gazette publicou um artigo que descreveu uma peste de caráter não usual na Ilha de Wight. Uma semana depois, em 23 de agosto, foi relatado que uma doença assustadora apareceu nas lavouras de batatas… na Bélgica foi dito que os campos estão desolados. Não existe uma única amostra saudável no mercado de Covent Garden… Sobre a cura para este destempero, não existe… Estes artigos foram publicados extensivamente pelos jornais Irlandeses.Em 13 de setembro, o Gardeners' Chronicle fez um anúncio dramático: Nós paramos a prensa com muito pesar para informar que a doença foi inequivocamente declarada na Irlanda. O Governo Britânico está otimista apesar disto sobre as próximas semanas.
A perda das culturas em 1845 foi estimada em 50% até um terço.O comitê da Casa de Mansion em Dublin, para onde centenas de cartas de toda Irlanda estavam endereçadas, declarou em 19 de novembro de 1845 que sem sobra de dúvida mais de um terço de toda a produção de batata fora destruída.
Em 1846 três quartos das colheitas foram perdidas devido à peste.Em Dezembro, um terço de milhão de pessoas destituídas foram empregadas pelo serviço público. De acordo com Cormac Ó Gráda, o primeiro ataque da peste causou dificuldades consideráveis na Irlanda rural, no outono de 1846, e as primeiras mortes por fome foram registradas.Batatas para plantio estavam em falta em 1847, e poucas germinaram, então a fome continuou. Em 1848, a produtividade foi apenas dois terços do normal. Mais de 3 milhões de Irlandeses eram dependentes de batatas para alimentação, então fome e mortes eram inevitáveis.

Reação na Irlanda

A Corporação de Dublin enviou um memorial à rainha Vitória, "rezando para ela convocar o Parlamento antecipadamente "(o Parlamento estava em recesso na época), e recomendar a requisição de dinheiro para obras públicas, especialmente ferrovias, na Irlanda. O Conselho da Vila de Belfast se reuniu, e fez sugestões similares, mas nenhuma das duas associações pediu por caridade, de acordo com Mitchel. "Eles demandavam que, já que a Irlanda era efetivamente parte integral do reino, as contas unidas das duas ilhas deveriam ser usadas, não por caridade, mas para prover empregos em obras públicas de utilidade comum". Era a opinião de Mitchel que "se Yorkshire e Lancashire na Inglaterra tivessem sustentado uma calamidade similar, sem dúvida essas medidas teriam sido tomadas, rápida e livremente".
Um conselho de cidadãos de Dublin, incluindo Augustus FitzGerald, Valentine Lawless e Daniel O'Connell, dirigiram-se ao Lorde Tenente da Irlanda e ofereceram sugestões, como abrir os portos para grãos importados durante algum tempo, parar a destilação de grãos ou promover obras públicas. Isto era extremamente urgente, já que milhões de pessoas logo estariam sem alimentos. O Lorde Heytesbury afirmou-lhes que tal "era prematuro", e pediu para que não ficassem alarmados, que estudiosos (Playfair e Lindley) foram mandados da Inglaterra para verificar esses factos, e que inspetores estavam enviando relatórios constantemente sobre seus distritos, além de não existir pressão iminente nos mercados. Desses relatórios do Lorde Haytesbury, Peel, numa carta para Sir James Graham, disse que as notícias eram alarmantes, mas lembrou que, de acordo com Woddham-Smith, "sempre existe uma tendência das notícias serem exageradas na Irlanda".
Em 8 de dezembro de 1845 Daniel O'Connell propôs os seguintes remédios para o desastre iminente. Uma das primeiras coisas que ele sugeriu foi a introdução do "Direito do Locatário" como era praticado no Ulster, dando ao dono da terra um generoso aluguel, mas dando ao locatário uma compensação para qualquer dinheiro que ele tenha gasto na terra para melhorias.O'Connell sugeriu então o uso das técnicas legislativas belgas durante a mesma temporada: fechar os portos contra a exportação de provisões, mas abrir para as importações. Ele sugeriu que se a Irlanda tivesse um Parlamento doméstico os portos poderiam ser abertos e as lavouras abundantes, plantadas na Irlanda ficariam para os irlandeses. O'Connell manteve que apenas um Parlamento Irlandês poderia prover as pessoas tanto com alimentos como com empregos, pedindo a destruição do ato de união de 1800.
John Mitchel.
John Mitchel, um dos principais escritores políticos irlandeses, em meados de 1844, no jornal irlandês A Nação levantou a questão da "Doença da batata" na Irlanda, notando o quão poderoso a fome era em certas revoluções. Em 14 de fevereiro de 1846 revelou sua visão sobre "a maneira escancarada que a fome estava se formando", e perguntou, por que o governo nem ao menos tinha uma concepção de que logo "milhões de seres humanos na Irlanda nada teriam para comer".
Em 28 de fevereiro, escrevendo sobre o plano de ajuda em votação na Câmara dos Lordes, ele notou que esse tipo de projeto não iria sofrer obstruções. Em sua visão, porém, o governo iria divergir em como eles deveriam alimentar a população irlandesa".
No artigo "English rule" de 7 de março de 1846, Mitchel publicou que o povo irlandês estava "esperando a fome dia após dia" e a atribuíram coletivamente não tanto "ao governo dos Céus mas à ganância e política cruel da Inglaterra". Continuou no mesmo artigo dizendo que as pessoas "acreditavam que a permanência enquanto decorria era nada mais que a rapacidade da Inglaterra; que suas crianças não se podiam sentar devido à fome, mas viam a voraz garra da Inglaterra em seu prato". As pessoas, Mitchel disse, viam "os seus alimentos apodrecerem na face da terra", tudo enquanto assistiam a "pesados navios, lotados de milho que suas próprias mãos plantaram e colheram, levantando vela para a Inglaterra".47
Mitchel então escreveu sobre uma das primeiras descrições populares da fome, The Last Conquest of Ireland (Perhaps) em 1861, e estabeleceu a visão popular na Irlanda que o tratamento da fome pelos britânicos era assassinato deliberado dos irlandeses. Por isto ele foi processado por sedição, mas foi absolvido pelo júri. Então ele foi processado novamente por traição, e condenado para um exílio de 14 anos nas Bermudas.
O jornal irlandês A Nação, de acordo com Charles Gavan Duffy, insistiu que um dos remédios que o resto da Europa tinha tomado em períodos de desespero era o de manter todo o alimento produzido no país, para alimentar o próprio povo.
A Irlanda era, de acordo com o Ato de União de 1801, parte integral do Império Britânico, "o mais rico império do planeta", e "a parte mais fértil do império". E ainda assim, os representantes eleitos da Irlanda aparentavam estar sem poder para agir em nome do país no Parlamento Britânico. Comentando sobre isto, John Mitchel escreveu: "A ilha era dita pertencer ao Império mais rico do planeta... poderia em cinco anos perder dois milhões e meio de sua própria população (mais de um quarto) pela fome, doenças consequentes da fome e emigração para escapar da fome..." .
O período da peste da batata na Irlanda, de 1845 até 1851, foi cheia de confrontos políticos. O movimento de massas Repeal Association declarou que o Ato de União tinha falhado em seus objetivos. O grupo mais radical Jovem Irlanda se separou da Repeal Association e tentou uma rebelião armada em 1848, que falharia.

Resposta do governo

Reação do governo de Robert Peel

Robert Peel
Francis Lyons caracterizou a resposta inicial do governo Britânico na parte menos severa da crise como "rápida e relativamente bem sucedida". Confrontado com a quebra generalizada das lavouras no outono de 1845, o chefe do governo, Sir Robert Peel, comprou secretamente à América 100 000 libras de milho indiano e farinha de milho. A Baring Bros & Co agiu como agente do governo. O governo esperava que isto serviria para não desestimular as tentativas privadas de ajuda. Devido às condições do tempo, os primeiros navios não chegaram à Irlanda senão no início de fevereiro de 1846.
Este milho então era revendido por um centavo. O milho não havia sido processado e esta tarefa envolvia um longo e complicado processo, que dificilmente iria ser feito localmente. Em adição, antes que os alimentos indianos pudessem ser consumidos, ele tinha que ser cozinhado novamente. Em 1846 Peel aboliu as leis do trigo, tarifas que mantinham o preço artificialmente alto. A situação da fome piorou em 1846 e o fim dessa lei pouco ajudou os irlandeses. E isto ainda dividiu o Partido Conservador, levando à queda de Peel. Em Março, Peel criou um programa de obras públicas, mas foi forçado a resignar em 29 de Junho. A queda na prática foi em 25 de Junho, quando ele foi vencido na Câmara dos Comuns. Dez dias depois, o Lorde John Russell assumiu o cargo.

Reação do governo de John Russell

John Russell
Os atos do sucessor de Peel, Lord John Russell, revelar-se-iam comparativamente inadequados, enquanto a crise piorava. Russell introduziu vários projetos públicos, que até dezembro de 1846 empregaram meio milhão de irlandeses e se provaram impossíveis de administrar, Sir Charles Trevelyan, que estava encarregado da administração da ajuda do Governo para as vítimas da fome, na verdade limitou a ajuda, acreditando que "o julgamento de Deus enviou essa calamidade para ensinar aos irlandeses uma lição". Por essa política, ele foi "homenageado" na canção popular irlandesa The Fields of Athenry. Os projetos públicos eram estritamente ordenados de maneira que fossem improdutivos, isto é, eles não gerariam fundos para pagar as próprias despesas. Centenas de milhares de homens doentes e famintos, de acordo com John Mitchel, eram mantidos cavando buracos, quebrando estradas, tudo atividade inútil.
A nova administração dos Whig durante o governo de Russell, influenciado pela sua crença no laissez-faire de que o mercado proveria os alimentos necessários, mas ao mesmo tempo ignorando as exportações de alimentos para a Inglaterra, então parou as obras do governo, deixando as pessoas sem trabalho, dinheiro ou alimentos.60 Em Janeiro, o governo iniciou um programa de ajuda direta, parte administrado pelo sistema Poor Law Inglês, juntamente com sopas distribuídas de graça. Os custos do Poor Law recaiam principalmente nos donos de terra local, que tentavam reduzir seus problemas expulsando os moradores locatários de suas terras.57 De acordo com James Donnelly,o sistema era organizado assim devido a crença Inglesa que a fome irlandesa deveria ser financiada pelos ricos da própria Irlanda. Foram os proprietários irlandeses vivendo na Inglaterra que criaram a fome em primeiro lugar.
A cláusula Gregory da Poor Law proibia qualquer um que tinha pelo menos um quarto de acre de receber ajuda. Na prática isso significava que se um fazendeiro, tendo vendido toda produção para pagar seu aluguel e taxas, ele estaria reduzido, assim como milhares na mesma situação, a pedir ajuda, mas não recebia nada até entregar toda sua terra de volta ao proprietário. Por essa regra, Mitchel escreveu "apenas o vagabundo saudável era para ser alimentado - se ele tentasse puxar um arado de terra, ele morreria". Esse método era chamado "passar um paupérrimo pela casa de trabalho" - um homem entrava, um pobre saia. Este fatores se combinaram para o abandono de centenas de lotes de terra por parte das pessoas: 90 000 em 1949, e 104 000 em 1850.

domingo, 16 de março de 2014

Idade do ferro

Idade do Ferro se refere ao período em que ocorreu a metalurgia do ferro. Este metal é superior ao bronze em relação à dureza e abundância de jazidas. A Idade do Ferro vem caracterizada pela utilização do ferro como metal, utilização importada doOriente através da emigração de tribos indo-europeias (celtas), que a partir de 1.200 a.C. começaram a chegar a Europa Ocidental, e o seu período alcança até a época romana e na Escandinávia até a época dos vikings (por volta do ano 1.000 d.C).
A Idade do Ferro é o último dos três principais períodos no Sistema de Três Idades, utilizado para classificar as sociedades pre históricas, sendo precedido pela Idade do Bronze. A data de início, duração e contexto varia de acordo com a região estudada. O primeiro surgimento conhecido de sociedades com nível cultural e tecnológico correspondente à Idade do Ferro se dá no século XII a.C. em diversos locais: no Oriente Próximo, na Índia antiga, com a civilização védica e na Europa, durante aIdade da Trevas grega.
Em outras regiões europeias, o início da Idade do Ferro foi bastante posterior, não tendo se desenvolvido na Europa central até século VIII a.C., até o século VI a.C. no norte de Europa. Na África o primeiro exponente conhecido do uso do ferro pela fundição e forja se dá na cultura Nok, na atual Nigeria, por volta do século XI a.C. Porém se acredita que o ferro meteorítico, uma liga de ferro-níquel, fosse já usado por diversos povos antigos milhares de anos antes da idade do ferro,  , já que sendo nativo no seu estado metálico, não necessitava a extração e fusão do mineral.

Cronologia

Ainda na Idade do Bronze, um crescente número de objetos de ferro fundido, distinguíveis do ferro meteorítico pela falta de níquel, começou a aparecer por toda Anatólia, Mesopotâmia, subcontinente indiano, Levante, Mediterrâneo e Egito. Algumas fontes propõem que o ferro fosse um subproduto casual do refino do cobre, sem um processo reproduzível pela metalurgia da época.
A mais antiga produção sistemática e uso de utensílios de ferro começa na Anatólia. Também existe uma teoria que a produção africana de ferra iniciou mais ou menos ao mesmo tempo, possivelmente até antes que na Anatólia, porém descobertas recentes sugerem que o trabalho do ferro aparece na Anatólia desde 2000 a.C. . A atual pesquisa arqueológica no vale do Ganges, atesta a produção de ferro desde 1800 a.C. Desde 1200 a.C., o ferro era amplamente utilizado no Oriente Médio, porém sem suplantar em nenhum momento o uso do bronze.
Já foi sugerido que a falta de estanho fosse o motivo colapso da Idade do Bronze, com a interrupção do comércio no Mediterrâneo por volta de 1300 a.C. que levaram à busca de metais alternativos.  Existem evidências nesta época que vários objetos de bronze foram reciclados e transformados em armas. Com o uso mais difundido do ferro, foi desenvolvida a tecnologia necessária para fazer um aço maleável, fazendo com que os preços baixassem. Como resultado, quando houve estanho disponível novamente, o ferro já havia ganhado a preferência na produção de armas e ferramentas, sendo barato o suficiente para substituir o bronze.  O ferro sendo um material mais resistente e leve, trazia vantagens tecnológicas para as civilizações que o adotavam.
Porém trabalhos arqueológicos mais recentes, mudaram não somente a cronologia, mas também as causas da transição do bronze para o ferro. Além do ferro estar sendo produzido na Índia desde 1800 a.C., vários sítios africanos possuem artefatos de ferro desde pelo menos 1200 a.C.,se opondo a ideia que houve uma descoberta única do ferro que depois se difundiu pelo mundo.

A Idade do Ferro pelo Mundo

Oriente próximo

Na Caldeia e Assíria, o ferro é usado desde de pelo menos 4000 a.C..Um dos primeiros artefatos de ferro conhecidos é uma adaga, com a lâmina de ferro encontrada numa tumba Hatita na Anatólia e datada de 2500 a.C.  O uso de armas de ferro se difundiu rapidamente e substituiu o bronze por todo o oriente próximo no começo do primeiro milênio BC.
O desenvolvimento da fundição de ferro já foi atribuída aos Hititas. Se acreditava que eles mantiveram o monopólio da metalurgia do ferro e que seu império tinha se baseado nesta vantagem tecnológica.Porém esta teoria não é mais aceita pela maioria dos especialistas, já que não existe evidência arqueológica desse monopólio. Enquanto existem objetos de ferro na idade do Bronze na Anatólia, o número é comparável aos objetos de ferro encontrados no Egito e outros locais no mesmo período, e somente um pequeno número deste objetos são armas. 

Europa

O período da Idade do Ferro é dividido em período da cultura de Hallstatt e período da cultura de La Tène.
Na Europa Central, a Idade do Ferro se divide em quatro períodos:
  • Cultura dos Túmulos.
  • Cultura dos Campos de Urnas (1.200-725 a.C.)
  • Cultura de Hallstatt (800-450 a.C.)
  • Cultura de La Tène (de 450 a.C.até à conquista romana).
Na Alemanha os historiadores diferenciam uma Idade do Ferro entre pré-romana e outra romana (cultura de Jastorf).
Em Portugal, então parte da Hispânia, a Idade do Ferro é essencialmente dominada pela ocupação do território pelo Império Romano, embora possamos depender da divisão do período em Idade do Ferro I e Idade do Ferro II, como o fez Armando Coelho na sua obra Cultura Castreja.

Mitologia

No seu Os Trabalhos e os Dias, Hesíodo menciona as cinco idades dos homens: a Idade do Ouro, a época em que Cronos era rei dos deuses, a Idade da Prata, criada pelos deuses do Olimpo e destruída por Zeus porque eles não queriam adorar os deuses, a Idade do Bronze, criada por Zeus, quando usavam-se instrumentos de bronze e não se conhecia o ferro,a Idade dos Herois, de homens chamados de semi-deuses, e a quinta, a Idade do Ferro, que continuava até os dias de Hesíodo.

evolução do homem

evolução humana, ou antropogênese, é a origem e a evolução do Homo sapiens como espécie distinta de outros hominídeos, dos grandes macacos e mamíferos placentários. O estudo da evolução humana engloba muitas disciplinas científicas, incluindo a antropologia física, primatologia, a arqueologia, linguística e genética.
O termo "humano" no contexto da evolução humana, refere-se ao gênero Homo, mas os estudos da evolução humana usualmente incluem outros hominídeos, como os australopitecos. O gênero Homo se afastou dos Australopitecos entre 2,3 e 2,4 milhões de anos na África. Os cientistas estimam que os seres humanos ramificaram-se de seu ancestral comum com os chimpanzés - o único outro hominins vivo - entre 5 e 7 milhões anos atrás. Diversas espécies de Homo evoluíram e agora estão extintas. Estas incluem o Homo erectus, que habitou a Ásia, e o Homo neanderthalensis, que habitou a Europa. O Homo sapiens arcaico evoluiu entre 400.000 e 250.000 anos atrás.
A opinião dominante entre os cientistas sobre a origem dos humanos anatomicamente modernos é a "Hipótese da origem única", que argumenta que o Homo sapiens surgiu na África e migrou para fora do continente em torno 50-100,000 anos atrás, substituindo as populações de H. erectus na Ásia e de H. neanderthalensis na Europa. Já os cientistas que apoiam a "Hipótese multirregional" argumentam que o Homo sapiens evoluiu em regiões geograficamente separadas.

Histórico da Paleoantropologia

Distribuição geográfica e temporal do gênero Homo. Outras interpretações diferem na taxonomia e distribuição geográfica.
A moderna área da paleoantropologia começou com o descobrimento do Neandertal e evidências de outros "homens das cavernas" no século 19. A ideia de que os humanos eram similares a certos macacos era óbvia para alguns há algum tempo. Mas, a ideia de evolução biológica das espécies em geral não foi ilegalizada até à publicação de A Origem das Espécies por Charles Darwin em 24 de novembro de 1859. Apesar do primeiro livro de Darwin sobre evolução não abordar a questão da evolução humana, era claro para leitores contemporâneos o que estava em jogo. Debates entre Thomas Huxley e Richard Owen focaram na ideia de evolução humana, e quando Darwin publicou seu próprio livro sobre o assunto (A descendência do Homem e Seleção em relação ao Sexo), essa já era uma conhecida interpretação da sua teoria — e seu bastante controverso aspecto. Até muitos dos apoiantes originais de Darwin (como Alfred Russel Wallace e Charles Lyell) rejeitaram a ideia de que os seres humanos poderiam ter evoluído sua capacidade mental e senso moral pela seleção natural.
Desde o tempo de Lineu, alguns grandes macacos foram classificados como sendo os animais mais próximos dos seres humanos, baseado na similaridade morfológica. No século XIX, especulava-se que nossos parentes mais próximos eram oschimpanzés e gorilas. E, baseado na distribuição natural dessas espécies, supunha-se que os fósseis dos ancestrais dos humanos seriam encontrados na África e que os humanos compartilhavam um ancestral comum com os outros antropóides africanos.
Foi apenas na década de 1890 que fósseis além dos de Neandertais foram encontrados. Em 1925, Raymond Dart descreveu o Australopithecus africanus. O espécime foi Bebé de Taung, um infante de Australopithecus descoberto em Taung, África do Sul. Os restos constituíam-se de um crânio muito bem preservado e de um molde endocranial do cérebro do indivíduo. Apesar do cérebro ser pequeno (410 cm³), seu formato era redondo, diferentemente daqueles dos chimpanzés e gorilas, sendo mais semelhante ao cérebro do homem moderno. Além disso, o espécime exibia dentes caninos pequenos e a posição do foramen magnum foi uma evidência da locomoção bípede. Todos esses traços convenceram Dart de que o "bebê de Taung" era um ancestral humano bípede, uma forma transitória entre "macacos" e humanos. Mais 20 anos passariam até que as reivindicações de Dart fossem levadas em consideração, seguindo a descoberta de mais fósseis que lembravam o achado de Dart. A visão prevalecente naquele tempo era a de que um cérebro grande desenvolveu-se antes da locomoção bípede. Pensava-se que a inteligência presente nos humanos modernos fosse um pré-requisito para o bipedalismo.
Os Australopithecíneos são agora vistos como os ancestrais imediatos do gênero Homo, o grupo ao qual os homens modernos pertencem. Tanto os Australopithecines quanto o Homo pertencem à família Hominidae, mas dados recentes têm levado a questionar a posição do A. africanus como um ancestral direto dos humanos modernos; ele pode muito bem ter sido um primo mais distante. Os Australopithecines foram originalmente classificados em dois tipos: gráceis e robustos. A variedade robusta de Australopithecus tem, desde então, sido reclassificada como Paranthropus. Na década de 1930, quando os espécimes robustos foram descritos pela primeira vez, o gênero Paranthropus foi utilizado. Durante a década de 1960, a variedade robusta foi transformada em Australopithecus. A tendência recente tem-se voltado à classificação original como um gênero separado.

Gênero Homo

Reconstrução doAustralopithecus afarensis, ancestral humano que desenvolveu o bipedalismo, mas que não tinha o grande cérebro do homem moderno.
Na taxonomia moderna, o Homo sapiens é a única espécie existente desse gênero, Homo. Do mesmo modo, o estudo recente das origens do Homo sapiens geralmente demonstra que existiram outras espécies de Homo, todas as quais estão agora extintas. Enquanto algumas dessas outras espécies poderiam ter sido ancestrais do H. sapiens, muitas foram provavelmente nossos "primos", tendo especificado a partir de nossa linhagem ancestral.
Ainda não há nenhum consenso a respeito de quais desses grupos deveriam ser considerados como espécies em separado e sobre quais deveriam ser subespécies de outras espécies. Em alguns casos, isso é devido à escassez de fósseis, em outros, devido a diferenças mínimas usadas para distinguir espécies no gênero Homo.
A palavra homo vem do Latim e significa "pessoa", escolhido originalmente por Carolus Linnaeus em seu sistema de classificação. É geralmente traduzido como "homem", apesar disso causar confusão, dado que a palavra "homem" pode ser genérica comohomo, mas pode também referir-se especificamente aos indivíduos do sexo masculino.

H. habilis

Viveu entre cerca de 2,4 a 1,8 milhões de anos atrás (MAA). H. habilis, a primeira espécie do gênero Homo, evoluiu no sul e no leste da África no final do Plioceno ou início do Pleistoceno, 2,5–2 MAA, quando divergiu do Australopithecines. H. habilis tinhamolares menores e cérebro maior que os Australopithecines, e faziam ferramentas de pedra e talvez de ossos de animais.

H. erectus

Viveu entre cerca de 1,8 (incluindo o ergaster) ou de 1,25 (excluindo o ergaster) a 0,70 MAA. No Pleistoceno Inferior, 1,5–1 MAA, na África, Ásia, e Europa, provavelmente Homo habilis possuía um cérebro maior e fabricou ferramentas de pedra mais elaboradas; essas e outras diferenças são suficientes para que os antropólogos possam classificá-los como uma nova espécie, H. erectus. Um exemplo famoso de Homo erectus é o Homem de Pequim; outros foram encontrados na Ásia (notadamente na Indonésia), África, e Europa. Muitos paleoantropólogos estão atualmente utilizando o termo Homo ergaster para as formas não asiáticas desse grupo, e reservando a denominação H. erectus apenas para os fósseis encontrados na região da Ásia e que possuam certas exigências esqueléticas e dentárias que diferem levemente das do ergaster.

H.ergaster

Viveu entre cerca de 1,8 a 1,25 Milhões de anos. Também conhecido como Homo erectus ergaster.

H. heidelbergensis

O Homem de Heidelberg viveu entre cerca de 800 a 300 mil anos atrás. Também conhecido como Homo sapiens heidelbergensis e Homo sapiens paleohungaricus.

H. floresiensis

Viveu há cerca de 12 mil anos (anunciado em 28 de Outubro de 2004 no periódico científico Nature). Apelidado de hobbit por causa de seu pequeno tamanho.

H. neanderthalensis

Viveu entre 250 e 30 mil anos atrás. Também conhecido como Homo sapiens neanderthalensis. Há um debate recente sobre se o "Homem de Neanderthal" foi uma espécie separada, Homo neanderthalensis, ou uma subespécie de H. sapiens. Enquanto o debate continua, a maioria das evidências, adquiridas através da análise do DNA mitocondrial e do Y-cromosomal DNA, atualmente indica que não houve nenhum fluxo genético entre o H. neanderthalensis e o H. sapiens, e, consequentemente, eram duas espécies diferentes. Em 1997 o Dr. Mark Stoneking, então um professor associado de antropologia da Universidade de Penn State, disse: "Esses resultados [baseados no DNA mitocondrial extraído dos ossos do Neanderthal] indicam que os Neanderthais não contribuíram com o DNA mitocondrial com os humanos modernos … os Neanderthais não são nossos ancestrais." Investigações subsequentes de uma segunda fonte de DNA de Neanderthal confirmaram esses achados.
Estudos pareciam indicar que pouco (ou nada) do património genético dos neandertais subsistira no DNA do homem atual. Mas, em 7 de Maio de 2010 um estudo do Projecto do Genoma do Neandertal foi publicado na revista Science. Tal estudo afirma que realmente ocorrera cruzamento entre as duas espécies.

Homo sapiens

Surgiu há cerca de 200 mil anos. No período interglacial do Pleistoceno Médio entre a Glaciação Riss e a Glaciação Wisconsin, há cerca de 250 mil anos, a tendência de expansão craniana e a tecnologia na elaboração de ferramentas de pedra desenvolveu-se, fornecendo evidências da transição do H. erectus ao H. sapiens. As evidências sugerem que houve uma migração do H. erectus para fora da África, então uma subsequente especiação para o H. sapiens na África. (Há poucas evidências de que essa especiação ocorreu em algum lugar). Então, umasubsequente migração dentro e fora da África eventualmente substituiu o anteriormente disperso H. erectus. Entretanto, a evidência atual não impossibilita a especiação multiregional. Essa é uma área calorosamente debatida da paleoantropologia.
Um estudo genético de um grande número de populações humanas atuais, feito desde 2003 por Sarah A. Tishkoff da Universidade da Pensilvânia18 sugere que o "berço da humanidade" ficaria na região dos Khoisan (antes chamados de Hotentotes), mais exatamente na área do Kalaharimais próxima do litoral da Fronteira Angola-Namíbia. Aí foi encontrada a maior diversidade genética, baseada num gene traçador que, comparado com a de outras populações, indica a possível migração das populações ancestrais para o norte e fora da África, há cerca de 250 gerações.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Internet(o comunicador mundial )

Internet é o maior conglomerado de redes de comunicações em escala mundial, ou seja, vários computadores e dispositivos conectados em uma rede mundial e dispõe milhões de dispositivos interligados pelo protocolo de comunicação TCP/IP que permite o acesso a informações e todo tipo de transferência de dados. Ela carrega uma ampla variedade de recursos e serviços, incluindo os documentos interligados por meio de hiperligações da World Wide Web (Rede de Alcance Mundial), e a infraestrutura para suportar correio eletrônico e serviços como comunicação instantânea e compartilhamento de arquivos.
De acordo com a Internet World Stats, 1,96 bilhão de pessoas tinham acesso à Internet em junho de 2010, o que representa 28,7% da população mundial. Segundo a pesquisa, a Europa detinha quase 420 milhões de usuários, mais da metade da população. Mais de 60% da população da Oceania tem o acesso à Internet, mas esse percentual é reduzido para 6,8% na África. Na América Latina e Caribe, um pouco mais de 200 milhões de pessoas têm acesso à Internet (de acordo com dados de junho de 2010), sendo que quase 76 milhões são brasileiros.

História

Visualização gráfica de várias rotas em uma porção da Internet mostrando a escalabilidade da rede
A origem da rede mundial de comunicação, como também é conhecida, ocorreu na área militar. O lançamento soviético do Sputnik 1 causou como consequência a criação americana da Defense Advanced Research Projects Agency(Agência de Projetos de Pesquisa Avançada), conhecida como DARPA, em fevereiro de 1955, com o objetivo de obter novamente a liderança tecnológica perdida para os soviéticos durante a Guerra Fria. A DARPA criou oInformation Processing Techniques Office (Escritório de Tecnologia de Processamento de Informações - IPTO) para promover a pesquisa do programa Semi Automatic Ground Environment, que tinha ligado vários sistemas de radaresespalhados por todo o território americano pela primeira vez. Joseph Carl Robnett Licklider foi escolhido para liderar o IPTO.
Licklider se transferiu do laboratório psico-acústico, na Universidade de Harvard, para o MIT em 1950, após se interessar em tecnologia de informação. No MIT, fez parte de um comitê que estabeleceu o Laboratório Lincoln e trabalhou no projeto SAGE. Em 1957, tornou-se o vice-presidente do BBN, quando comprou a primeira produção do computador PDP-1 e conduziu a primeira demonstração de tempo compartilhado.
No IPTO, Licklider se associou a Lawrence Roberts para começar um projeto com o objetivo de fazer uma rede de computadores, e a tecnologia usada por Robert se baseou no trabalho de Paul Baran,7 que havia escrito um estudo extenso para a Força Aérea dos Estados Unidos recomendando a comutação de pacotes ao invés da comutação de circuitos para tornar as redes mais robustas e estáveis. Após muito trabalho, os dois primeiros elos daquele que viria a ser o Arpanet foram interconectados entre a Universidade da Califórnia em Los Angeles e o SRI (que viria a ser o SRI International), em Menlo Park, Califórnia, em 29 de outubro de 1969. O Arpanet foi uma das primeiras redes da história da Internet atual.
Após a demonstração de que a Arpanet trabalhava com comutações de pacotes, o General Post Office, a Telenet, a Datapac e a Transpac trabalharam em colaboração para a criação da primeira rede de computador em serviço. NoReino Unido, a rede foi referida como o Serviço Internacional de Comutação de Pacotes (IPSS).
Este sistema garantia a integridade da informação caso uma das conexões da rede sofresse um ataque inimigo, pois o tráfego nela poderia ser automaticamente encaminhado para outras conexões. O curioso é que raramente a rede sofreu algum ataque inimigo. Em 1991, durante a Guerra do Golfo, certificou-se que esse sistema realmente funcionava, devido à dificuldade dos Estados Unidos de derrubar a rede de comando do Iraque, que usava o mesmo sistema.
O X.25 era independente dos protocolos TCP/IP, que surgiram do trabalho experimental em cooperação entre a Darpa, o Arpanet, o Packet Radio e o Packet Satellite Net Vinton Cerf e Robert Kahn desenvolveram a primeira descrição de protocolos TCP em 1973 e publicaram um artigo sobre o assunto em maio de 1974. O uso do termo "Internet" para descrever uma única rede TCP/IP global se originou em dezembro de 1974, com a publicação do RFC 68, a primeira especificação completa do TCP, que foi escrita por Vinton Cerf, Yogen Dalal e Carl Sunshine, na Universidade de Stanford. Durante os nove anos seguintes, o trabalho prosseguiu refinando os protocolos e os implementando numa grande variedade de sistemas operacionais.
A primeira rede de grande extensão baseada em TCP/IP entrou em operação em 1 de janeiro de 1983, quando todos os computadores que usavam o Arpanet trocaram os antigos protocolos NCP. Em 1985, a Fundação Nacional da Ciência (NSF) dos Estados Unidos patrocinou a construção do National Science Foundation Network, um conjunto de redes universitárias interconectadas em 56 kilobits por segundo (kbps), usando computadores denominados pelo seu inventor, David L. Mills, como "fuzzballs". No ano seguinte, a NSF patrocinou a conversão dessa rede para uma maior velocidade, 1,5 megabits por segundo. A decisão importantíssima de usar TCP/IP DARPA foi feita por Dennis Jennings, que estava no momento com a responsabilidade de conduzir o programa "Supercomputador" na NSF.
A abertura da rede para interesses comerciais começou em 1988. O Conselho Federal de Redes dos Estados Unidos aprovou a interconexão do NSFNER para o sistema comercial MCI Mail naquele ano, e a ligação foi feita em meados de 1989. Outros serviços comerciais de correio eletrônico foram logo conectados, incluindo a OnTyme, a Telemail e a Compuserve. Naquele mesmo ano, três provedores comerciais de serviços de Internet (ISP) foram criados: a Uunet, a PSINet e a Cerfnet. Várias outras redes comerciais e educacionais foram interconectadas, tais como a Telenet, a Tymnet e a JANET, contribuindo para o crescimento da Internet. A Telenet (renomeada mais tarde para Sprintnet) foi uma grande rede privada de computadores com livre acesso dial-up de cidades dos Estados Unidos que estava em operação desde a década de 1970. Esta rede foi finalmente interconectada com outras redes durante a década de 1980 assim que o protocolo TCP/IP se tornou cada vez mais popular. A habilidade dos protocolos TCP/IP de trabalhar virtualmente em quaisquer redes de comunicação pré-existentes permitiu a grande facilidade do seu crescimento, embora o rápido crescimento da Internet se deva primariamente à disponibilidade de rotas comerciais de empresas, tais como a Cisco Systems, a Proteon e a Juniper, e à disponibilidade de equipamentos comerciais Ethernet para redes de área local, além da grande implementação dos protocolos TCP/IP no sistema operacional UNIX.

Desenvolvimento e ampliação

Posteriomente , universidades, colégios e empresas foram se unindo a esta iniciativa, ampliando os horizontes e acabando a Internet a converter-se no fenômeno de hoje. A popularização da rede veio somente no início da década de 90, isso nos Estados Unidos. No Brasil tornou-se mais popular com o barateamento dos "modems" por volta de 1995. Durante todo esse tempo, a rede tem experimentado um crescimento exponencial e espetacular, e hoje em dia, é acessível na maioria dos lugares do planeta. Há quem afirme que a Internet é um espaço de comunicação independente e com vida própria. Com ela temos a oportunidade de nos comunicar com milhões de pessoas no mundo todo, acessar alguns milhões de computadores, distribuídos em cerca de 100.000 redes em mais de 100 países. Ou seja, pela ordem de grandeza dos dados anteriores, pode-se imaginar sua força como veículo de comunicação.

O nascimento da World Wide Web

A Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN) foi a responsável pela invenção da World Wide Web, ou simplesmente a Web, como hoje a conhecemos. Corria o ano de 1990, e o que, numa primeira fase, permitia apenas aos cientistas trocar dados, acabou por se tornar a complexa e essencial Web.
O responsável pela invenção chama-se Tim Berners-Lee, que construiu o seu primeiro computador na Universidade de Oxford, onde se formou em 1976. Quatro anos depois, tornava-se consultor de engenharia de software no CERN e escrevia o seu primeiro programa para armazenamento de informação – chamava-se Enquire e, embora nunca tenha sido publicada, foi a base para o desenvolvimento da Web.
Em 1989, propôs um projecto de hipertexto que permitia às pessoas trabalhar em conjunto, combinando o seu conhecimento numa rede de documentos. Foi esse projecto que ficou conhecido como a World Wide Web. A Web funcionou primeiro dentro do CERN, e no Verão de 1991 foi disponibilizada mundialmente.
Em 1994 Berners-Lee criou o World Wide Web Consortium, onde actualmente assume a função de director. Mais tarde, e em reconhecimento dos serviços prestados para o desenvolvimento global da Web, Tim Berners-Lee, actual director do World Wide Web Consortium, foi nomeado cavaleiro pela rainha da Inglaterra.

Como funciona

A Internet distribui, através dos seus servidores, uma grande variedade de documentos, entre os quais formam a arquitetura World Wide Web. Trata-se de uma infinita quantidade de documentos (texto e multimédia) que qualquer utilizador de rede pode aceder para consultar e que, normalmente, tem ligação com outros serviços de Internet. Estes documentos têm facilitado a utilização em larga escala da Internet em todo mundo, visto que por meio deles qualquer utilizador com um mínimo de conhecimento de informática, pode aceder à rede.

Como navegar

Para poder navegar na Internet é necessário dispor de um navegador (browser). Existem diversos programas deste tipo, sendo os mais conhecidos na atualidade, o Microsoft Internet Explorer, Mozilla Firefox, Google Chrome, entre outros. Os navegadores permitem, portanto, que os utilizadores da rede acedam às páginas WEB e que enviem ou recebam mensagens do correio eletrônico de qualquer parte do mundo. Existem também na rede dispositivos especiais de localização de informações indispensáveis atualmente, devido à magnitude que a rede alcançou. Os mais conhecidos são o Google, Yahoo! e Ask.com. Há também outros serviços disponíveis na rede, como transferência de arquivos entre usuários (download), teleconferência múltipla em tempo real (videoconferência), etc.

No Brasil

Depois da fase militar, a Internet teve seu desenvolvimento administrado pela NSF (National Science Foundation) na década de 70. Depois a NSF transferiu esta responsabilidade para a iniciativa privada. Em 1992 surgiu a Internet Society para tentar arrumar a desordem reinante, então. No Brasil existe o Comitê Gestor da Internet e um órgão para o registro de domínios (FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). No Brasil há cerca de 20 mil domínios registrados. No final de 1997, o Comitê Gestor liberou novos domínios de primeiro nível, ou seja :
  • .art - artes, música, pintura, folclore. etc.
  • .esp - esportes em geral;
  • .ind - provedores de informações;
  • .psi - provedores de serviços Internet;
  • .rec - atividades de entretenimento, diversão, jogos, etc;
  • .etc - atividades não enquadráveis nas demais categorias;
  • .tmp - eventos de duração limitada ou temporária.
Antes desses só tínhamos dois domínios:
  • .com - uso geral;
  • .org - para instituições não governamentais.
  • .gov - para instituições governamentais.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Caneta

caneta é um instrumento utilizado para a escrita utilizando tinta. Varia das mais simples às mais sofisticadas e elegantes, das de uso comum aos profissionais, diferindo também em matéria de cor. Ainda hoje é utilizada por estudantes domundo inteiro para fazer seus trabalhos escolares.

História da caneta esferográfica

O revisor tipográfico húngaro László Bíró inventou, em 1932, uma caneta que não borrava e cuja tinta não secava no depósito, como fazia a antiga caneta-tinteiro. Na oficina do jornal em que trabalhava, na cidade de Budapeste, deteve-se a observar o funcionamento da rotativa. O cilindro se empapava de tinta e imprimia o texto nele gravado sobre o papel. Com a ajuda de seu irmão Georg, que era químico, e do amigo Imre Gellért, um técnico industrial, Biro encontrou a solução. Acondicionou a tinta dentro de um tubo plástico. A tinta, pela força de gravidade, descia para a ponta do tubo. Nessa mesma ponta, ele colocou uma esfera de metal que, ao girar, distribuía a tinta de uma maneira pluriforme pelo papel. A bolinha da ponta da caneta, que passa tinta para o papel, normalmente é de carbureto de tungstênio, metal usado em balas de revólver e 4 vezes mais resistente do que o aço.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

República

República (do latim res publica, "coisa pública") é uma forma de governo em que, segundo Cícero, são necessárias três condições: um número razoável de pessoas (multitudo); uma comunidade de interesses e de fins (communio); e umconsenso do direito (consensus iuris). Nasce das três forças reunidas, entre, uma mistura da libertas do povo, da auctoritas do Senado e da potestas dos magistrados, . Assim, os soberanos nos oferecem o amor paternal; os grandes, o sábio conselho; o povo, a liberdade .
Hoje é visto como um governo na qual o chefe do Estado é eleito pelo povo ou seus representantes, tendo a sua chefia uma duração limitada. A eleição do chefe de Estado, por regra chamado presidente da república, é normalmente realizada através do voto livre e secreto. Dependendo do sistema de governo, o presidente da república pode ou não acumular o poder executivo permanecendo por quatro anos.
A origem deste sistema político está na Roma antiga, onde primeiro surgiram instituições como o senado. Nicolau Maquiavel descreveu o governo e a fundação da república ideal na sua obra Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio(1512-17). Estes escritos, bem como os de seus contemporâneos, como Leonardo Bruni, constituem a base da ideologia que, em ciência política, se designa por republicanismo.
Η Πολιτεία - De Republica de Platão, edição bilingue de 1713.
O conceito de república não é isento de ambiguidades, confundindo-se às vezes com democracia, às vezes com liberalismo, às vezes tomado simplesmente no seu sentido etimológico de "bem comum". Hoje em dia, o termo república refere-se, regra geral, a um sistema de governo cujo poder emana do povo, ao invés de outra origem, como a hereditariedade ou o direito divino. Ou seja, é a designação do regime que se opõe à monarquia.
No entanto, res publica, como sinónimo de administração do bem público ou dos interesses públicos, foi frequentemente utilizada pelos escritores romanos para se referir ao Estado e ao governo, mesmo durante o período do Império Romano.A palavra república foi, com o mesmo significado, também frequentemente usada no Reino de Portugal. D. João II, por exemplo, numa carta ao rei de França, escreveu: "obrigação é do bom Príncipe e prudente, não somente galardoar seus vassalos com honras, cargos e dignidades merecidas, mas castigar com rigor, severidade e justiça aos que são prejudiciais em sua república, para que os bons com o exemplo do prémio sejam melhores e os maus ou com castigo se emendem, ou com as maldades pereçam".
Durante a Idade Média, várias cidades-estados italianas tinham uma forma de governo de tipo comunal, chamada signoria. Escritores coevos, como Giovanni Villani, teorizaram sobre a natureza destes estados e as diferenças em relação às monarquias da época, usando termos como libertas populi para designar o regime destes estados. O renovado interesse pelas obras da Grécia e da Roma Antigas levou os escritores no século XV a preferirem uma terminologia mais clássica. Para descrever os estados não-monárquicos, os escritores quatrocentistas, principalmente Leonardo Bruni, passaram a adotar a expressão latina res publica. Na primeira das suas obras, Nicolau Maquiavel dividia os governos em três tipos:monarquiaaristocracia e democracia. Mas como, segundo o próprio Maquiavel, é difícil destrinçar entre uma aristocracia governada por uma determinada elite e uma democracia governada por um conselho nomeado pelo povo, no momento em que começou a trabalhar em O Príncipe, Maquiavel já tinha optado por usar a palavra república para se referir tanto a aristocracias como a democracias.
Um novo conjunto de significados para o termo república veio, também, da palavra grega πολιτεία (politeía ou politeia). Cícero, entre outros escritores latinos, traduziu politeia para res publica que, por sua vez, os estudiosos do Renascimentopassaram a república. Esta, sendo uma tradução precisa para res publica no seu significado primitivo, já não o é no atual. Politeia é hoje geralmente traduzida por "forma de governo" ou "regime". No entanto, um exemplo da persistência desta tradução original é o título do grande trabalho de ciência política de Platão, A República, (Politeia, no original).
Antônio Houaiss regista a entrada da palavra na língua portuguesa no século XV nas formas respublicareepublicaree publicarepruvicarrepublica e republica.Na língua inglesa, a palavra republic foi usada pela primeira vez na era doProtetorado de Oliver Cromwell, embora commonwealth, tradução mais fiel da latina res publica, seja o termo mais comum para designar este regime sem monarca.